Confissões Patéticas, Reflexões tardias
Ilustração: Rogerio Rios
Eu fingi ter mancado diante dos que eram aleijados
Admito também, que me apropriei de outros versos
Ao telefone, no tempo das fichas, aquelas que quando caem
A gente se dá conta de que acabou a ligação
Compus vários sucessos secretos que só eu curti
E já me arrependi por não ter mentido mais
Na entrevista, no interrogatório, olhando nos olhos
Hoje mal consigo seguir sem os meus acessórios
Eu já falei que não estava e me atrasei de propósito
Pedi desculpas da boca pra fora, mas que horrível gesto
De seus parentes, os que mais gosto são os distantes
Ignorei a dor de te ver em mim, aquilo o que mais detesto
Bebi a água direto do gargalo e até cuspi no seu chão
Senti inveja e fugi, adoeci e caí de orgulho e fraqueza
Mesmo que agora eu pareça querer sua aprovação
Acho que é o sinal dos tempos, o fim da beleza
Assumi acertos que não foram meus e escondi os meus erros
Indicando os seus e essas confissões patéticas
Reflexões tardias que um pouco me aliviam
Do fardo de ser apenas humano